Quem já assistiu a Holland, novo filme da Prime Video, sabe que ele não se trata apenas de mais um drama suburbano. A trama segue caminhos silenciosos até mergulhar em uma atmosfera inquietante. Mas, para quem ficou com gosto de quero mais após acompanhar a jornada de Nancy Vandergroot, existe outra produção que pode complementar perfeitamente essa experiência.
Mesmo com algumas críticas ao ritmo e à previsibilidade, Holland ganha fôlego na atuação firme de Nicole Kidman e no olhar seguro da diretora Mimi Cave. E é justamente nessa direção que vale a pena voltar os olhos: o primeiro longa de Cave, lançado em 2022, consegue ir ainda mais fundo no suspense, explorando o lado mais sombrio de relacionamentos aparentemente inofensivos.
Assim como Holland, Fresh se apoia em um cenário comum, com vidas aparentemente normais, personagens com rotinas reconhecíveis, e um espaço onde tudo parece sob controle. Essa ambientação familiar é essencial para que o impacto da virada narrativa seja ainda mais intenso. Mimi Cave utiliza isso a seu favor nos dois filmes, mas é em Fresh que ela encontra a liberdade para ousar mais.
O roteiro de Fresh rompe com expectativas ao inserir elementos grotescos sem abrir mão da crítica social. A trama se desenrola como uma crônica distorcida sobre o universo dos encontros modernos. Entre jogos de poder e relações de aparências, a história brinca com a fronteira entre o humor e o horror, mantendo o espectador em alerta. Ao contrário de Holland, que reserva suas revelações para o terceito ato, Fresh assume sua verdadeira natureza mais cedo. Isso dá ao filme a chance de desenvolver sua tensão de forma mais orgânica, sem depender apenas de reviravoltas.
Fresh foi muito bem recebido pelo público e pela crítica no ano de seu lançamento, conquistando uma aprovação de 82% no Rotten Tomatoes. Além da condução corajosa, o filme se destacou por levantar questões relevantes sobre relações abusivas, a ilusão do romantismo e a pressão social em torno da vida afetiva das mulheres.
Não é por acaso que Fresh ainda é apontado como o melhor filme de Mimi Cave até agora. Ele explora medos contemporâneos de maneira inusitada, criando uma história que vai muito além do horror físico. A forma como ela conduz as cenas desconfortáveis, sem perder o controle do tom, revela um domínio narrativo que chama atenção.