
Chegando à metade da primeira temporada, Alien: Earth já apresentou visuais impressionantes, boas atuações e uma trama de ficção científica envolvente. No entanto, um personagem específico tem se destacado pelos motivos errados e continua a destoar do restante da produção.
Estamos falando de Boy Kavalier, interpretado por Samuel Blenkin. O problema não está na atuação, mas sim na forma como o personagem foi concebido e inserido na narrativa. Com seus trejeitos excêntricos, comportamento infantilizado e visual caricato (quase sempre de pijamas), o chamado “gênio prodígio” parece carecer de um melhor desenvolvimento no universo de Alien.
Boy Kavalier e suas incoerências
A caracterização de Kavalier mistura referências a Peter Pan com explosões de arrogância e uma suposta genialidade que nunca se traduz em ações concretas. A série sugere que sua empresa, a Prodigy, é uma das cinco corporações que dominam a Terra, mas nunca explica de forma convincente como alguém tão imaturo poderia controlar um império desse porte.
O espectador é informado de sua inteligência extraordinária, mas são sempre os cientistas subordinados que conduzem as pesquisas e os experimentos. A autoridade de Kavalier parece existir apenas por sua conta bancária e porque o roteiro exige, e não por uma liderança ou domínio real.
Um antagonista sem credibilidade
Em uma série repleta de figuras corporativas maquiavélicas, a presença de Boy Kavalier fragiliza o impacto da Prodigy como ameaça. Isso fica evidente no episódio 4, quando ele aparece em uma chamada com a CEO da Weyland-Yutani, Yutani, interpretada por Sandra Yi Sencindiver. A executiva surge como uma vilã sofisticada e crível, mas a interação com Kavalier soa desbalanceada, tornando difícil enxergá-los como rivais no mesmo nível.
O contraste entre a postura séria de Yutani e o comportamento quase caricatural e imaturo de Kavalier reforça ainda mais a estranheza. Para muitos espectadores, é difícil acreditar que outras corporações tratariam o personagem com o mesmo respeito que a série tenta atribuir a ele.
Desnecessário para a trama?
Outro ponto que levanta críticas é a real necessidade do personagem para a narrativa. Grande parte dos elementos ligados a Kavalier, como a instalação chamada Neverland e os híbridos apelidados de “garotos perdidos”, poderiam ter sido apresentados sem sua figura central.
Com isso, surge a sensação de que a série poderia funcionar perfeitamente sem Boy Kavalier. A substituição por um antagonista mais tradicional, ainda que menos excêntrico, manteria o andamento da história sem comprometer a atmosfera sombria que caracteriza a franquia.
Um ponto fraco em uma série promissora
Enquanto a trama principal continua a desenvolver os conflitos entre corporações, híbridos e Xenomorfos, Boy Kavalier permanece como um dos elementos mais frágeis. O personagem é bom e interessante, mas carece de contexto na narrativa. Sua inteligência elevada não se faz presente e pouco são mostradas cenas em que sua importancia se justifique.
A expectativa é que os próximos episódios tragam alguma revelação que explique as escolhas criativas em torno do personagem. Até lá, Boy Kavalier segue sendo o elo mais inconsistente de Alien: Earth, um papel que, por enquanto, ainda não faz sentido dentro da narrativa.
Alien: Earth está disponível no Disney+.