O segundo episódio da nova temporada de Pacificador mostra que o multiverso da DC não é apenas uma ideia solta no ar. Depois da morte acidental de sua variante, o herói vivido por John Cena toma decisões questionáveis para encobrir o ocorrido.
A morte de uma versão alternativa de si mesmo já seria suficiente para abalar qualquer um. Mas, ao invés de contar com apoio ou buscar ajuda, Pacificador decide apagar as provas do crime. Com a ajuda de Vigilante, ele desmembra e incinera o corpo do seu eu alternativo em uma das cenas mais gráficas já mostradas em uma série da DC.
A fenda se abre entre as versões
O trauma do assassinato não é ignorado. O episódio mostra que, apesar da postura debochada, Chris Smith está abalado, mas o que pesa ainda mais é a possibilidade que se abre com a ausência da variante. Agora com o celular do outro Pacificador em mãos, ele passa a usar a identidade do falecido para acessar livremente a realidade paralela.
Esse movimento começa de forma sutil. Chris envia uma mensagem para a Emilia Harcourt da outra dimensão, com quem sua variante teve um relacionamento. A resposta vem em forma de um emoji de coração partido, indicando que ainda há feridas mal resolvidas naquele universo.
Depois de uma conversa tensa durante a festa de boas-vindas para Economos, fica claro que Chris ainda guarda sentimentos por ela, mas Harcourt, mesmo reconhecendo a conexão, parece não estar disposta a reviver o passado.
A escolha de Pacificador de manter o disfarce indica que ele deve continuar explorando essa nova realidade, mesmo que isso aprofunde sua crise de identidade e aumente os riscos de exposição. A abertura do episódio já havia deixado claro que o multiverso está em jogo, e os limites entre versões podem se romper.
Conexões anteriores
Outro ponto importante do episódio é a oficialização de Rick Flag Sr. como diretor da A.R.G.U.S. Em um flashback, descobrimos que sua nomeação ocorreu oito meses antes, após Amanda Waller ser exposta publicamente pela própria filha, Leota Adebayo.
A motivação de Flag Sr., no entanto, é pessoal. Ao assumir o cargo, ele solicita imediatamente acesso aos arquivos sobre a morte de seu filho, Rick Flag Jr., morto por Pacificador em O Esquadrão Suicida. Após obter os documentos, Flag estabelece vigilância constante sobre Chris, colocando-o como ameaça de prioridade máxima.
O episódio também reforça as conexões com o filme Superman. A tecnologia da Câmara de Desdobramento Quântico, que permite as viagens dimensionais, emite rastros semelhantes aos da fenda interdimensional criada por Lex Luthor em Metrópolis.
Esse paralelo deixa claro por que a A.R.G.U.S. está tão preocupada com as ações de Pacificador. O potencial de um novo desastre é real, e o uso recorrente da câmara por Chris pode desencadear consequências ainda mais graves do que a morte de uma variante.
Pacificador entre dois mundos
A reta final do episódio deixa evidente que Chris está dividido entre duas realidades. De um lado, enfrenta a desconfiança da A.R.G.U.S. e a tensão com Harcourt. Do outro, começa a se infiltrar na vida de sua versão alternativa, assumindo um papel que não é seu.
A escolha de esconder a morte da variante e manipular a dimensão paralela coloca Pacificador em uma trajetória perigosa, tanto emocional quanto narrativa. O multiverso da DC está aberto, e Christopher Smith já cruzou uma linha da qual talvez não consiga mais voltar.