Transformar uma saga literária gigantesca como Harry Potter em uma franquia de filmes era um desafio quase tão complexo quanto derrotar Você-Sabe-Quem. Os livros são densos, cheios de tramas paralelas e personagens com histórias entrelaçadas. Só A Ordem da Fênix tem 870 páginas! É claro que nem tudo poderia ser incluído nos roteiros, mas a questão aqui é: será que os cortes foram justos?
Se você leu os livros de J. K. Rowling, já deve ter sentido falta de alguns nomes importantes. Mas se você só viu os filmes, prepare-se para descobrir um lado oculto de Hogwarts que nunca chegou às telonas.
6. Charlie Weasley: o irmão perdido da família Weasley
Todo fã de Harry Potter tem um carinho especial pelos Weasley. A família representa acolhimento, afeto e até um certo caos carismático. Nos filmes, conhecemos bem Fred, George, Percy, Bill, Molly, Arthur… e claro, Ron e Ginny. Mas tem um nome que ficou de fora como se nunca tivesse existido: Charlie Weasley.
Charlie não é um personagem qualquer. Ele é literalmente o irmão que trabalha com dragões na Romênia, o que, convenhamos, já o torna automaticamente incrível.
Ele aparece nos livros para ajudar Hagrid com o filhote de dragão Norberto em A Pedra Filosofal, e retorna em O Cálice de Fogo, supervisionando os dragões da primeira tarefa do Torneio Tribruxo. Nos filmes? Nem uma fala, nem um cameo. Nada. É como se ele tivesse sido expulso da árvore genealógica da família. E olha, isso é um corte que dói até hoje nos fãs.
5. Peeves: o poltergeist mais caótico que Hogwarts já viu
Se existe um personagem que faz falta nos filmes de Harry Potter é Peeves. Esse poltergeist aparece em TODOS os livros, sempre causando confusão, derrubando armaduras, interrompendo aulas e sendo o terror de Argus Filch. Mas no cinema? Simplesmente evaporou.
O mais absurdo é que Peeves chegou a ser escalado! O lendário comediante Rik Mayall gravou cenas como o personagem para A Pedra Filosofal, mas elas foram cortadas da versão final.
Chris Columbus, diretor do filme, já revelou que existe um corte de três horas onde Peeves aparece. E disse mais: “Temos que colocar Peeves de volta no filme!”, palavras do próprio Columbus. Até hoje, esse “Peeves Cut” está trancado nos cofres da Warner. Um verdadeiro crime contra os fãs.
4. Winky: a elfa doméstica que mostra o lado sombrio do mundo bruxo
Se você achava que Dobby era o único elfo digno de atenção em Harry Potter, é porque nunca conheceu Winky, e nem poderia, já que ela foi completamente ignorada pelos filmes. Nos livros, Winky é apresentada em O Cálice de Fogo como a elfa da família Crouch. Ela é obrigada a ir à Copa Mundial de Quadribol contra sua vontade e, mais tarde, é injustamente acusada de lançar a Marca Negra.
Depois disso, Winky é demitida e acaba indo trabalhar em Hogwarts, onde entra numa espiral de tristeza profunda e alcoolismo (sim, elfos se embriagam com cerveja amanteigada). Sua história é pesada, cheia de camadas, e levanta questionamentos importantes sobre escravidão e exploração no mundo mágico. Mas no cinema… nada.
Talvez porque mostrar um elfo em depressão não combinasse com o tom “família” que os filmes queriam manter. Só que ignorar essa parte é fechar os olhos para uma realidade importante do universo criado por J.K. Rowling.
3. Ludo Bagman: corrupção, apostas
Em O Cálice de Fogo, um personagem chama atenção logo de cara na Copa Mundial de Quadribol: Ludo Bagman, chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos. Carismático, animado, mas completamente irresponsável, Bagman representa a mistura perfeita entre fanfarronice e corrupção no Ministério da Magia.
Ele aceita uma aposta arriscada dos gêmeos Weasley, tenta dar uma “ajudinha” ilegal para Harry Potter no Torneio Tribruxo e, no fim das contas, desaparece para fugir de cobradores goblins após perder todo o seu dinheiro.
O cara é quase um símbolo da decadência institucional do mundo bruxo. Mas adivinha? Os filmes preferiram fingir que ele nunca existiu. Resultado: perdemos um arco divertido, crítico e que explicaria melhor como Fred e George abriram sua loja em Diagon Alley.
2. A família Gaunt: o passado sombrio que moldou o maior vilão da saga
Quer entender de verdade como Voldemort se tornou o maior vilão do mundo mágico em Harry Potter? Então você precisa conhecer os Gaunt, e essa é uma parte que os filmes simplesmente ignoraram. No sexto livro, O Enigma do Príncipe, Harry e Dumbledore mergulham em memórias do passado para entender os horcruxes. E uma das mais importantes é a da família Gaunt.
Vivendo em condições deploráveis, os Gaunt são descendentes diretos de Salazar Sonserina. Merope, filha de Marvolo Gaunt, se apaixona por Tom Riddle (o pai de Voldemort) e o enfeitiça com uma poção do amor. Quando o efeito passa, ele a abandona grávida.
Ela morre pouco após dar à luz em um orfanato. Essa história explica muito da frieza e do vazio emocional que formam a essência de Voldemort. Mas os filmes preferiram resumir tudo em uma fala rápida. Uma das origens mais trágicas e profundas da saga… ignorada como se fosse irrelevante.
1. Frank, Alice e Augusta Longbottom
Neville Longbottom é um dos personagens mais subestimados de Harry Potter, mas sua história de vida é um soco no estômago. Nos livros, descobrimos que seus pais, Frank e Alice, foram aurores torturados até a insanidade por Comensais da Morte. Eles vivem em um hospital, sem reconhecer ninguém, enquanto Neville tenta manter a dignidade diante de tudo isso.
Essa revelação acontece quando o trio visita St. Mungus, e é uma das cenas mais emocionantes de A Ordem da Fênix. A avó de Neville, Augusta, também aparece, mostrando o quanto ela exige do neto, sempre cobrando que ele “honre” o legado dos pais.
Mas nos filmes? Apenas uma foto rápida. Nenhuma palavra sobre o sofrimento de Neville, sua ligação com Bellatrix Lestrange ou o motivo de sua força interior. Uma omissão que tira o brilho de um personagem que merecia muito mais destaque.
O que realmente foi perdido com esses personagens apagados de Harry Potter?
Cortar personagens de uma adaptação é inevitável, mas deixar de fora figuras tão fundamentais acaba empobrecendo a narrativa. Charlie, Peeves, Winky, Bagman, os Gaunt e os Longbottoms não são apenas coadjuvantes esquecíveis, eles têm histórias que ampliam, aprofundam e até mudam o que pensamos sobre os eventos principais da saga.
Esses cortes tiraram da tela discussões importantes, nuances emocionais e até conexões políticas do mundo mágico. E sim, os filmes continuam incríveis. Mas imaginar o que poderia ter sido com essas peças no tabuleiro… isso sim é magia que ficou por lançar.