Quando Thunderbolts* chegou ao Disney+, muita gente aproveitou para rever o filme com calma, sem a pressão de assistir no cinema. O longa, que marcou o encerramento da Fase 5 da Marvel, conquistou fãs e críticos, mas a segunda experiência de assistir revela algo incômodo: nem tudo são flores.
Entre escolhas arriscadas e momentos brilhantes, existem algumas realidades que ficam ainda mais evidentes no “replay”, e que podem incomodar até o mais fiel fã do MCU.
6. Sentinela é poderoso demais para o próprio bem do MCU
Desde antes da estreia, já havia desconfiança: como encaixar um ser praticamente invencível como o Sentinela em um time formado por personagens muito mais “pé no chão”?
E a resposta é: não encaixa. Sua luta contra os Thunderbolts dura poucos minutos e mostra como nenhum deles tinha a menor chance. Bucky dá tudo de si, mas o Sentinela simplesmente ignora seus golpes como se estivesse espantando um mosquito.
Esse desequilíbrio não só desmoraliza o grupo, como também deixa um dilema para o futuro da Marvel. Se ele é tão poderoso assim, quem vai ser capaz de enfrentá-lo de verdade? A comparação com Thanos é inevitável, e até injusta. O Sentinela torna todos os outros heróis irrelevantes em questão de segundos.
5. Derrotar o Vazio foi simples demais para um vilão tão devastador
O alter ego do Sentinela, o temido Vazio, surge como uma ameaça sombria e quase apocalíptica. O clima de terror funciona por alguns minutos, mas a resolução chega rápido demais. O grupo enfrenta lembranças traumáticas, encara uma dimensão sombria, mas… tudo se resolve de forma surpreendentemente fácil.
É claro que a narrativa quis valorizar a luta interna de Robert Reynolds, mas fica a sensação de que o público foi enganado: o “monstro” parecia capaz de devastar tudo, mas acabou sendo vencido em uma cena curta, sem grandes consequências. A impressão é de que o Vazio merecia muito mais tempo e peso dramático.
4. Bucky Barnes como político merecia mais destaque
Um dos arcos mais interessantes e até inusitados foi o de Bucky Barnes como congressista. Ver o Soldado Invernal tentando lidar com política trouxe uma faceta inédita do personagem, humana, cômica e até emocionante. Infelizmente, isso durou pouco.
Ao invés de explorar esse lado que poderia renovar a trajetória de Bucky, o filme usou sua posição apenas como um recurso narrativo para chegar até Valentina Allegra de Fontaine. Uma pena, porque era justamente nesse contraste entre o herói de guerra e o político desajeitado que o personagem parecia mais vivo.
3. A polêmica cena pós-créditos não estava tão errada assim
Na cena pós-créditos, manchetes debochadas estampam jornais: “Não são meus Vingadores”, “Os heróis que ninguém pediu” e até o sarcástico “B-Vingadores”. A intenção era mostrar a desconfiança do público dentro do próprio universo Marvel, mas, na prática, a piada acabou refletindo o mundo real.
Mesmo após a mudança do título para Os Novos Vingadores, a bilheteria não empolgou. O filme arrecadou bem menos que o esperado e virou o quinto menor faturamento da Marvel. É o típico caso em que a ficção e a realidade acabam andando lado a lado, e nenhuma das duas foi muito animadora para o estúdio.
2. O MCU mostra sinais de que precisa de um reboot
Quem reassiste o longa percebe uma coisa: a Marvel já não consegue se sustentar sem revisitar o passado. Thunderbolts* está cheio de referências a filmes antigos, alguns com mais de dez anos. Para fãs assíduos, isso é divertido, mas para o público casual soa como um convite para abandonar a sessão, já que sem “fazer a lição de casa” muita coisa não faz sentido.
Esse peso do passado deixa claro que o estúdio talvez precise, sim, de um “reset”. Um reboot que simplifique a narrativa e devolva a sensação de novidade. Do jeito que está, até as melhores ideias ficam presas em uma teia de dependências.
1. Humor e exposição em excesso ainda perseguem a Marvel
Mesmo sendo considerado um respiro criativo, Thunderbolts* não escapa das fórmulas que tanto dividem os fãs. A cada momento de tensão, lá vem uma piadinha para quebrar o clima. Pior ainda, diálogos longos recheados de explicações acabam cansando quem só queria ver ação e emoção.
É um padrão que a Marvel parece não conseguir largar. Agente Americano, por exemplo, funciona quase como narrador explicando situações óbvias. Isso mostra como o estúdio ainda teme se afastar demais do público, mesmo quando tenta arriscar algo mais sombrio.